GRAM POSITIVA OU GRAM NEGATIVA?

ESTRUTURA DO ENVOLTÓRIO CELULAR DE GRAM NEGATIVO E GRAM POSITIVO


A estrutura do envoltório das bactérias são diferentes de acordo com a classificação de Gram positivo e Gram negativo. Ambas têm em comum, a membrana plasmática, que envolve o citoplasma e parede celular, feita de peptidoglicano e envolve a membrana plasmática.


O peptidoglicano é formado é um polímero reticulado poroso que é responsável pela resistência da parede celular. É composto por 2 açúcares: o ácido N-acetilmurâmico (NAM) e N-acetilglicosamina (NAG) ligada por ligação β-glicosídica (1-4). Embora a química do peptidoglicano possa variar entre as espécies, a estrutura em si, isto é, NAG-NAM é a mesma em todas as espécies de bactérias.


Nessa camada de peptideoglicano, temos a presença de ácido teicóico e ácido lipoteicóico. Os ácidos teicóicos são compostos por glicerol-fosfato ou ribitolfosfato, covalentemente ligados ao ácido murâmico do peptidoglicano. São estruturas eletronegativamente carregadas e tem a função de aumentar a rigidez e ligar íons de cálcio e magnésio. Quando covalentemente ligado aos lipídeos da membrana, são chamados de ácido lipoteicóicos e, assim, se ligam às membranas celulares do hospedeiro, particularmente de linfócitos e macrófagos, resultando em ativação celular. São capazes, também, de ativar a cascata do complemento, induzindo o processo de inflamação.


Bactérias Gram positivas possuem sua parede celular espessa, enquanto as Gram negativas possuem parede celular fina e uma membrana externa formada por lipídios, proteínas e Lipopolissacarídeos (LPS).


Estrutura do envoltório celular de bactérias. Fonte: OpenStax, 2020.


Essa camada adicional presente nas bactérias gram negativas é composta de uma bicamada lipídica, proteína e camada de lipopolissacarídeo (LPS). O LPS é sintetizado na membrana citoplasmática e transportado para a membrana externa. Sua composição é baseada em lipídio-A e polissacarídeo (existem dois: polissacarídeo central e polissacarídeo O). A membrana externa exercer as funções de: proteger a estrutura de parede celular de gram-negativas, a liberação de endotoxina (LPS) e antigenicidade do Lipídeo A.



COLORAÇÃO DE GRAM


A coloração de Gram, conhecido também como bacterioscopia, é um método de coloração de bactérias desenvolvido pelo médico dinamarquês Hans Christian Joachim Gram. É um dos passos mais importantes na caracterização e classificação das bactérias, permitindo a sua visualização no microscópio óptico. A metodologia auxilia na identificação de infecções bacterianas, determinando qual o tipo de bactéria presente na amostra, e consequentemente auxiliando na terapia adequada do paciente.


Esse exame é realizado em uma lâmina onde é depositado a amostra que representa o sítio de infecção. Deve-se esperar a amostra secar na lâmina.

  1. Inicia-se a coloração com o corante Cristal de Violeta por 1 minuto e realiza-se a lavagem da lâmina com água corrente;

  2. A segunda etapa é aplicação do corante Lugol por 1 minuto e a realiza-se a lavagem da lâmina com água corrente;

  3. A terceira etapa é “descoloração” com álcool acetona e outra lavagem em sequência;

  4. Por último, o contra-corante, Fucsina ou Safranina, por 30 segundos e realização da última lavagem.


É importante ressaltar que o primeiro corante deve estar filtrado para realizar a metodologia, pois pode cristalizar e aparecer semelhantemente na lâmina como cocos Gram-positivos.


Método de coloração de gram. Fonte: KASVI (adaptado), 2019.

A diferença na estrutura entre Gram-negativas e Gram-positivas é essencial para a diferenciação na coloração de Gram, pois esse teste foi montado seguindo essas características. As bactérias Gram positivas se coram roxas, pois o corante Cristal violeta se fixa até nas camadas mais profundas da espessa parede celular dessas e, mesmo a lavagem com álcool acetona e o corante fucsina, a coloração púrpura permanece. Já as bactérias Gram negativas se coram rosa, pois após a lavagem, devido a sua fina parede celular, o Cristal Violeta é descorado, permitindo que a Fucsina se fixe na parede bacteriana.


Fonte: KASVI, 2019.






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